FALAR SAÚDE Nº 63: Primeiros Socorros - Feridas

Prof. Isabel Cristina
04/04/2014

Por solicitação de alguns leitores assíduos desta rubrica venho, desta vez, abordar um tema que pode fazer a diferença: “Como proceder em caso de acidentes, lesões ou doenças que acontecem subitamente?”

Rubrica GOVCIC 02 de Março de 20
 

 

  Rubrica
Falar Saúde
04 de abril de 2014

 

 

 

 

 


O que arde cura, o que aperta segura.
Provérbio popular


Falar Saúde Nº 63
Primeiros Socorros: Feridas


Por solicitação de alguns leitores assíduos desta rubrica venho, desta vez, abordar um tema que pode fazer a diferença: “Como proceder em caso de acidentes, lesões ou doenças que acontecem subitamente?” Assim, este será o primeiro de alguns artigos sobre técnicas de socorro, que não exijam uma intervenção especializada, pois a ajuda imediata depende frequentemente de familiares, colegas ou pessoas que estão no local certo à hora certa.

Pequenos golpes e arranhadelas fazem parte do nosso dia-a-dia, são as chamadas “feridas simples” e qualquer um pode tratar, desde que siga regras muito simples, de modo a evitar complicações. As feridas simples são superficiais, pouco extensas, pouco sujas e sem corpos estranhos e que não afetam os olhos, ou outros órgãos considerados frágeis, e orifícios naturais.

Então, o que fazer perante uma ferida simples?

  1. Evitar entrar em contacto com o sangue ou outros fluidos corporais da pessoa, lavar as mãos com água e sabão e, se possível, usar luvas descartáveis.

  2.  Se a hemorragia não tiver ainda estancado sozinha, aplicar pressão direta sobre a lesão.

  3.  Lavar a ferida, sem esfregar, com água da torneira corrente, limpa e fria; se não houver água da torneira disponível, usar água engarrafada ou soro fisiológico.

  4.  Após a lavagem, secar em redor da ferida, sem tocar na mesma; utilizar uma compressa ou um pano limpo e nunca algodão, porque os seus fios adeririam à ferida que deve manter-se limpa.

  5.  Proceder à aplicação de um antisséptico que assegure a eliminação de microrganismos que possam provocar uma infeção.

  6.  Cobrir a ferida com gaze e adesivo, caso esta esteja numa zona muito exposta, e exista um evidente risco de se sujar, ou quando a sua localização a expõe a determinados atritos; caso contrário convém deixar a ferida ao ar livre de modo a facilitar a sua cicatrização.

  7.  Alertar a pessoa para os perigos do tétano e lavar as mãos após a prestação do socorro.


Nota importante sobre os antisséticos

Os antissépticos devem ser eficazes sem irritar ou agredir os tecidos. Entre os mais utilizados encontra-se a povidona iodada, mais conhecida como Betadine ou clorexidina (apesar de retardar um pouco a cicatrização).

Desaconselha-se o uso do álcool e da água oxigenada pois longe vai o tempo da expressão “o que arde cura…”. A utilidade do álcool e da água oxigenada não só não é tão eficaz como se pensa, mas pode ser prejudicial e, oficialmente, o seu uso está desaconselhado em feridas abertas. Tanto um como outro são bons desinfetantes sobre superfícies, pele intacta e objetos, mas não são eficazes na eliminação de germes sobre tecidos vivos, especialmente em feridas e mucosas.

Isto deve-se a um mecanismo químico que os inativa, em grande medida, no contato com tecidos vivos. Daqui resulta que desinfetam à superfície, mas muito pouco ou nada em profundidade. Também são muito pouco específicos, isto é, não distinguem entre germes e células dos tecidos da ferida, agredindo ambos por igual. É por isso que fazem arder!

A água oxigenada é particularmente útil para estancar o sangue, mas atrasa a cicatrização, enquanto o álcool é ótimo na desinfeção das mãos, mas é muito agressivo.

Deve-se igualmente evitar a utilização de antissépticos muito coloridos, como o mercurocromo, porque tingem a zona de um vermelho intenso que dificulta a deteção de sinais que anunciem a eventual infeção da ferida.

Em suma, à falta de produtos químicos específicos, a água e o sabão são a melhor opção.


Prof. Isabel Cristina